Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral evitaram comentar, durante a sessão plenária desta quinta-feira (29/10), a carta divulgada por Flávio Bolsonaro na quarta-feira, após sua ida aos Estados Unidos. A pasta de julgamentos seguiu a agenda prevista e não houve menção pública ao documento em que o ex-candidato acusa fraude no processo eleitoral e anuncia que pretende liderar a oposição no exterior.
Na noite anterior, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia publicado nota na qual reafirmou o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade soberana dos eleitores. Sem citar o autor da carta, Marques declarou que o pleito transcorreu dentro da normalidade e com respeito às normas legais e constitucionais, e que os questionamentos apresentados serão analisados no devido processo legal.
A carta atribuída a Flávio Bolsonaro circulou em pelo menos três versões e, em duas delas, o senador se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. No texto, ele cita uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que ampliou o horário de votação, e questiona a lisura do resultado sem apresentar provas. A equipe de Flávio, segundo apuração prévia, já vinha descartando pedido de anulação antes da viagem do senador.
A postura reservada do TSE pode ser interpretada como escolha estratégica para não ampliar narrativas sem lastro probatório, mas a situação expõe a tensão entre o terreno político e as instituições eleitorais. Para Flávio e seu entorno, o episódio amplia desgaste e complica a narrativa pública; para o tribunal, manter a rotina de julgamentos funciona como demonstração de normalidade e resistência à pressão política.