O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, afirmou na abertura da sessão plenária de 20/10 que a corte não tem “participação” nas decisões sobre mudança de endereço de locais de votação. Segundo ele, as solicitações partem dos cartórios eleitorais e são analisadas e decididas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). A declaração ocorreu após ampla repercussão pública sobre deslocamentos entre o primeiro e o segundo turno.

O TSE afirmou ainda manter contato permanente com os TREs e citou casos motivados por intempéries, como a escola de Confresa (MT) que teve o forro comprometido após tempestades em 9 e 10 de outubro. Nos últimos dias a Corte divulgou números que oscilaram: 4,3 mil seções apontadas no sábado, 1.116 no domingo e, já na segunda, 438 alterações registradas; o levantamento segue em atualização conforme as zonas eleitorais encerrem os registros.

As mudanças atingiram mais de 130 mil eleitores em 22 estados, com Minas Gerais liderando (29.715 afetados), seguido por Paraná (17.968) e Amapá (11.614). Para o professor Bruno Andrade, membro da Abradep, o impacto prático tende a ser pequeno diante das 517.179 seções do país: eleitores mantêm o direito de votar em local próximo, e as alterações, segundo o especialista, não deveriam beneficiar candidaturas de forma generalizada.

Ainda que a magnitude operacional pareça limitada, a sequência de números conflitantes e a circulação de desinformação acende alerta para a Justiça Eleitoral. Em ano de alto escrutínio político, ruídos informativos aumentam o desgaste institucional e exigem resposta clara dos TREs e maior transparência nos sistemas do TSE. A responsabilidade formal das mudanças é regional, mas a Corte central precisa reduzir dúvidas públicas para evitar que erros de comunicação se transformem em custo político.