Na abertura do seminário Programa de Convidados Internacionais, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, enfatizou que a condução do processo eleitoral cabe aos próprios eleitores, enquanto a Justiça Eleitoral tem a função de organizar, fiscalizar e assegurar o cumprimento das regras. A declaração, feita às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, buscou colocar a Corte no papel de garantidora técnica e institucional do pleito.
Nunes Marques destacou ainda a escala da participação: 125,2 milhões de eleitores compareceram ao primeiro turno, número superior ao registrado na mesma etapa anterior. O dado, segundo o presidente do TSE, reforça a presença popular no processo e amplia a necessidade de uma resposta administrativa e operacional à altura dessa demanda. O seminário reuniu representantes de 49 países, missões de observação e embaixadores, reforçando o caráter internacional do escrutínio sobre a votação brasileira.
O presidente detalhou a dimensão logística envolvida: além da preparação de mais de 500 mil urnas eletrônicas, a eleição mobiliza uma ampla cadeia de tecnologia e pessoal em milhares de municípios. Ao sublinhar essa estrutura, o TSE procura mostrar capacidade técnica e transparência, mas também assume frente à opinião pública a responsabilidade por falhas que possam ocorrer. O reconhecimento da magnitude operacional tem efeito prático: aumenta a exigência por protocolos, testes e comunicação clara sobre procedimentos.
Politicamente, a mensagem cumpre duplo papel. Por um lado, fortalece a legitimidade do processo ao valorizar a participação e ao trazer observadores estrangeiros; por outro, desloca para a Corte a expectativa de respostas técnicas imediatas em caso de impugnações ou problemas logísticos. Em ambiente de intensa polarização, o recado do TSE é uma tentativa de blindar o pleito por meio de transparência técnica — caminho que, se falhas ocorrerem, pode se transformar em pressão institucional e custo político para a Justiça Eleitoral.