O ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a retirada do ar do clipe oficial de campanha do candidato Romeu Zema (Novo) em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dois ministros do Supremo eram representados como presidiários. A decisão exigiu também a remoção das reproduções já disseminadas nas redes sociais, citando risco à integridade do processo eleitoral diante da ampla circulação do material.
Na fundamentação, Nunes Marques afirmou que a peça, ainda que de estética animada e com uso declarado de inteligência artificial, extrapola o território da sátira e da crítica política ao veicular imputação de práticas criminosas e produzir desinformação que atinge a honra das pessoas retratadas. O ministro ressaltou que não se tratou de deepfake no sentido técnico, mas sim de um conteúdo que constrói uma narrativa fictícia e descontextualizada envolvendo órgãos do Judiciário.
Politicamente, a decisão cria um nó imediato para a campanha de Zema: além de remover o clipe, a ordem do TSE reduz espaço para replicações que já haviam viralizado e pode obrigar assessorias a revisar materiais que utilizem inteligência artificial. Para o candidato, que reagiu publicamente classificando a medida como uma 'ditadura do Judiciário', a determinação alimenta duas narrativas opostas — por um lado, reação contra censura; por outro, acusação concreta de disseminar informação enganosa em período sensível da disputa.
O caso coloca de novo o Judiciário no centro do debate sobre os limites da propaganda eleitoral num mundo de conteúdo sintético. Legalmente, a decisão exemplifica a disposição da corte eleitoral em intervir quando peças de campanha ultrapassam a crítica e ameaçam a lisura do pleito. Politicamente, a controvérsia tende a acender alerta entre campanhas e plataformas sobre o uso de inteligência artificial e sobre os custos de uma estratégia comunicacional que aposta em ataques visuais de alto impacto.