O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prorrogou por duas horas o horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 em todo o país: as urnas passaram a ficar abertas até as 19h (horário de Brasília) neste domingo (25/10). A decisão do ministro Cristiano Zanin ocorreu pouco depois de pedidos protocolados pela Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), que sustenta a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de solicitações enviadas pela campanha do senador Flávio Bolsonaro.

A coligação Pró-Lula argumentou que a redução da oferta de transporte público em diversas cidades comprometeu o acesso dos eleitores às seções. O pedido cita inspeção na garagem do BRT de Salvador que identificou frota menor do que a usada em dias úteis; decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí que obrigou a recomposição da frota em Teresina sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora; e determinação da Justiça Eleitoral paulista para operação de 100% da frota municipal, que, segundo a petição, seguia operando em cerca de 60%. A ação ainda registra relatos sobre corte de ônibus em João Pessoa, Maceió e municípios do interior de Alagoas, Pernambuco, Pará e Rio de Janeiro.

A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou pedido similar para 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, apontando chuvas, alagamentos e interdições de vias como causas das dificuldades de deslocamento. O requerimento foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, e incluiu solicitação para que a divulgação dos resultados eleitorais só seja iniciada após o término do novo horário de votação.

A decisão do TSE corrige no curto prazo um problema logístico que atingiu eleitores em diferentes regiões, mas também expõe fragilidades na operação dos serviços urbanos e na coordenação entre prefeituras, operadores e tribunais eleitorais. Politicamente, o episódio amplia a pressão sobre gestores locais e sobre empresas de transporte, e reforça a tendência de judicialização das disputas logísticas em dias de votação — elemento que ambos os lados da disputa usaram para justificar pedidos ao tribunal.