O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta quarta-feira a republicação de um esclarecimento de 2022 para rebater afirmações do pré-candidato Flávio Bolsonaro, feitas em reunião com diplomatas, que associavam as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic. A medida foi autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques; em vez de uma nota inédita, a Corte optou por republicar o texto já produzido após episódios semelhantes.
O comunicado lembra que a Smartmatic “não fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil” e ressalta que todo o projeto da urna foi concebido e é gerido pela Justiça Eleitoral. A republicação ganha tom político porque alegações do mesmo teor, em 2022, serviram de base para uma ação que resultou na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro até 2030.
O TSE detalha que as máquinas foram desenvolvidas por servidores e técnicos da própria Justiça Eleitoral e são fabricadas por empresas contratadas via licitação, com comunicação criptografada e sem conexão a redes públicas. Segundo a Corte, a atuação da Smartmatic no país ficou restrita a treinamentos e a contratos específicos de conexão de dados e voz — funções distintas do fornecimento ou programação das urnas.
Politicamente, a ofensiva de Flávio ao trazer o tema a diplomatas e pedir maior observação internacional para 2026 tem efeitos claros: reforça narrativas de dúvida sobre o sistema eleitoral e pode tensionar a agenda de governabilidade e a confiança pública, sobretudo porque versões semelhantes já tiveram custo jurídico e político. O recado do TSE é técnico, mas também busca conter um debate que tende a polarizar sem provas novas.