O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 20.506 candidaturas para as eleições de 2026, número que representa o menor volume desde 2010, quando cerca de 22 mil pessoas se inscreveram. O total contrasta com a escalada verificada até 2022, quando os registros atingiram cerca de 29 mil, e sugere um movimento de concentração das bancas partidárias neste ciclo eleitoral.

A distribuição das candidaturas revela concentração por cargo: 13 candidatos à Presidência da República, cerca de 11 mil para Assembleias Estaduais, aproximadamente 7 mil para a Câmara dos Deputados e 315 para o Senado. No plano partidário, o Partido Liberal (PL) encabeça o volume com 1.625 registros; na sequência aparecem MDB, Republicanos, Novo e Podemos. O partido do presidente aparece em oitavo lugar, com 1.095 candidaturas — um sinal relevante para a estratégia governista em 2026.

Há dois vetores que merecem destaque crítico. Primeiro, o menor número geral de candidaturas pode indicar ganho de disciplina partidária, maior seletividade ou custos crescentes para disputa — fatores que beneficiam legendas com estrutura mais robusta, como mostra a liderança do PL. Segundo, a redução no total de inscritos tende a compactar opções eleitorais e a concentrar recursos, alterando a dinâmica competitiva regional e nacional.

No recorte de gênero, o levantamento do TSE traz um contraste: as candidaturas femininas alcançaram 34,82% do total — o maior percentual da série histórica —, mas o número absoluto de mulheres registradas (cerca de 7.140) é inferior aos patamares de 2014, 2018 e 2022, quando passaram de 8 mil, 9 mil e quase 10 mil, respectivamente. A leitura é direta: a elevação percentual não se traduziu em ganho material, e a narrativa de avanço da participação feminina encontra limites práticos.

Os perfis mostram maioria de mulheres brancas (45,97%) e pardas (34,96%), concentradas entre 45 e 54 anos, filiadas em maior número ao PL, MDB e Republicanos, e candidatas majoritariamente às assembleias estaduais e à Câmara. Só duas mulheres se registraram para a Presidência. O quadro impõe pressão sobre partidos e sobre a agenda de igualdade: a compensação percentual não resolve a perda em número absoluto nem elimina barreiras estruturais que ainda dificultam a ampliação real da representação feminina.