O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou pedidos de 15 missões estrangeiras que pretendiam acompanhar as eleições brasileiras. Entre as solicitações negadas estão a do Foro Madrid — ligado ao partido espanhol Vox — e a da Alternativa Democrática Nacional (ADN), partido português. O tribunal afirmou ter baseado as decisões nos critérios previstos na Resolução nº 23.678/2021, que exige acordo prévio com o TSE e comprovação de experiência técnica, estrutura e histórico de atuação em observação eleitoral.

Na avaliação do tribunal foram levados em conta fatores como a relação institucional das entidades com a defesa da democracia, a experiência de dirigentes e a existência de equipe adequada. No caso do Foro Madrid, o TSE observou vínculos políticos e a contratação, em 2024, do ex-ministro Ernesto Araújo como assessor internacional — elementos que, segundo a Corte, comprometem a imparcialidade exigida para uma missão técnica. O manifesto fundador do grupo tem assinatura de lideranças de direita de vários países, o que reforça o caráter político da iniciativa.

A recusa à ADN ressaltou posições públicas da legenda portuguesa sobre imigração, aborto e educação, apontadas pelo tribunal como indicativas de um projeto partidário mais do que de um corpo técnico de observação. Entre as demais negativas, o TSE citou a Eurolat Global Democracy Forum, cuja composição inclui Ahmed Abeeb, condenado por corrupção nas Maldivas, fato que compromete a credibilidade da missão. Também foi mencionada a presença do vereador brasileiro Maurício Galante, conhecido por manifestações públicas favoráveis a sanções contra empresas brasileiras em razão de disputas com autoridades americanas.

A decisão do TSE tem repercussão política: além de reforçar critérios técnicos para legitimar observações internacionais, evita dar palco a iniciativas com viés partidário ou integrantes com antecedentes que possam alimentar narrativas de interferência externa. Ao mesmo tempo, a negativa pode provocar reação de grupos de direita que vinham buscando internacionalizar o debate sobre o pleito. Em termos institucionais, o episódio sinaliza que o tribunal pretende preservar a inviolabilidade do processo eleitoral diante de atores estrangeiros cuja atuação não se enquadra como estritamente técnica.