O canal de WhatsApp chamado 'Exército do Lula', que reúne mais de 4,3 milhões de inscritos, foi retirado do ar por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques. A Corte autorizou a retomada do serviço desde que a plataforma cumpra normas de identificação dos responsáveis; segundo a resolução, o canal só poderá publicar novas mensagens após 48 horas.
Ao acessar o grupo na noite de terça, apoiadores encontraram aviso de que o histórico e atualizações estavam indisponíveis no país. O canal, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), tem servido para orientar e mobilizar simpatizantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto isso, o grupo 'Tropa do Flávio', ligado à campanha de Flávio Bolsonaro, com cerca de 1,6 milhão de seguidores, seguia ativo pela manhã de quarta-feira.
A decisão expõe duas questões centrais: a capacidade do TSE de regular o fluxo de mensagens políticas em plataformas privadas e a clareza processual sobre prazos e efeitos imediatos. O ministro não detalhou se a suspensão da publicação vale de forma imediata ou somente após análise de recursos, o que cria insegurança jurídica e pressiona provedores a tomar decisões defensivas sob risco de sanção.
Politicamente, a medida acende alerta para campanhas que se apoiam em grupos de grande alcance no WhatsApp e levanta questionamentos sobre aplicação simétrica das regras entre rivais. A exigência de identificação pode restringir canais de mobilização, mas também força maior transparência nas comunicações eleitorais; falta, porém, definição clara sobre critérios e prazos, elemento que será determinante nas próximas disputas e recursos.