Em reunião-almoço da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços em Brasília, representantes do turismo, parlamentares e empresários discutiram os impactos da proposta que prevê o fim da escala 6x1. O setor ressaltou que sua operação difere de ramos industriais: funciona intensamente nos fins de semana e feriados, razão pela qual a mudança da jornada tem efeito direto sobre a rotina e os custos das empresas.

Dados apresentados pelas entidades indicam que cerca de 70% dos trabalhadores do turismo já cumprem mais de 40 horas semanais — acima da média nacional — e que, em segmentos como hotelaria e alimentação, esse índice chega a 90% e 92%. Hoje a mão de obra representa aproximadamente 23,2% da receita operacional do setor. Segundo cálculos do próprio segmento, reduzir a carga de 44 para 40 horas elevaria a folha de pagamento em torno de 27%.

A posição oficial levada ao encontro foi de não resistência à discussão legislativa, mas de condicionamento: quaisquer mudanças que aumentem custos precisam vir acompanhadas de mecanismos que preservem empregos. Como alternativa, o setor defende substituir a contribuição patronal sobre a folha por uma alíquota sobre o faturamento — proposta que tem lugar na PEC 1/2026, de autoria do senador Laércio Oliveira — argumento sustentado pelos empresários como forma de dar fôlego financeiro às empresas sem recuar da formalização.

O debate, que contou com a presença de deputados como Kim Kataguiri, Hélio Lopes, Zé Neto e Domingos Sávio, ocorre no mesmo dia em que a Câmara instala a comissão especial para analisar a proposta de emenda constitucional. Politicamente, o tema constrói um nó: há pressão social por proteção ao trabalhador e, ao mesmo tempo, risco econômico real para empresas que já operam com margens apertadas. A exigência de compensações fiscais amplia a complexidade da votação e põe o legislativo diante do trade-off entre custo fiscal e preservação de empregos.

Do ponto de vista prático, a matéria tende a acender alerta entre deputados de bases produtivas e a complicar a narrativa de quem defende alterações sem apresentar fonte de compensação. O setor coloca sobre a mesa uma equação clara: reduzir a jornada sem desoneração significa transferir custo para a mão de obra formal ou para a ponta do serviço — cenário que, segundo representantes, pode resultar em perda de postos de trabalho e aumento de informalidade, não em melhor proteção ao trabalhador.