A União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) marcou para 18 de agosto, em Brasília, um encontro com presidenciáveis que transforma a entidade em palco de cobrança por compromissos concretos. A lista de convidados inclui Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi convidado. Na ocasião, a Unecs entregará um manifesto com 14 eixos considerados prioritários para o setor.
O documento reúne demandas típicas do setor privado: simplificação do sistema tributário, fortalecimento do Simples Nacional, desoneração da folha, reforma administrativa, redução da burocracia, ampliação de crédito a micro e pequenas empresas e ações contra crimes cibernéticos e o comércio ilegal. Há ainda propostas de segurança jurídica e incentivo à adoção de inteligência artificial e ao empreendedorismo feminino. A entidade espera que essas medidas sejam incorporadas em planos de governo.
Do ponto de vista político, o encontro funciona como termômetro: oferece visibilidade para candidatos e coloca a agenda pró-empresas em confronto com promessas de responsabilidade fiscal. Pedidos como desoneração da folha e ampliação de benefícios fiscais levantam dúvidas sobre como seriam compensados no Orçamento, e podem acender debate sobre prioridades e limites do ajuste fiscal.
Para o governo em fim de mandato e para opositores, a entrega do manifesto representa pressão e oportunidade. Aceitar publicamente parte das propostas pode render apoio setorial; rejeitá-las ou evitá-las expõe contradições. A Unecs, ao agrupar demandas centrais do comércio e serviços, tenta transformar propostas técnicas em moeda política — resta ver quem decide recebê-las como compromisso de campanha.