A Universidade Presbiteriana Mackenzie e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro anunciaram proibições a eventos de caráter político-partidário dentro de seus campi às vésperas do segundo turno. Em notas oficiais, as reitorias — no caso da PUC-Rio assinada pelo vice-reitor Renato Callado, publicada em 12/10, e no Mackenzie pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos — justificaram a medida pela preservação da segurança, do bem-estar e da integridade física da comunidade acadêmica.
Os vetos chegaram depois de convocatórias em redes sociais para atos de grupos com posições opostas: na PUC-Rio, o coletivo 'A PUC também é nossa', ligado a simpatizantes de Flávio Bolsonaro, e o 'PUC-Rio Antifascista', favorável à reeleição de Lula; no Mackenzie, um grupo pró-Lula planejava assembleia nas imediações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Após as proibições, as mobilizações ocorreram fora dos campi e houve troca de insultos; ainda no episódio, o influenciador Breno Faria — que disputou vaga de deputado federal no Rio — fez comentário debochado sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e recebeu resposta pública da filha da ex-vereadora.
A decisão das universidades remove a manifestação organizada do interior das instituições, mas não elimina a contestação: ela tende a deslocá‑la para áreas externas e a rede, o que pode aumentar riscos de confrontos fora do controle administrativo. Ao mesmo tempo, levanta um dilema recorrente entre segurança e liberdade de expressão no ambiente acadêmico. A restrição institucional é defensável do ponto de vista da proteção física, mas acende alerta sobre limites à mobilização estudantil e sobre como universidades privadas equilibram neutralidade e segurança em períodos de acirramento político.
As reitorias afirmaram ter recebido manifestações de preocupação de membros das comunidades e ressaltaram a falta de autorizações prévias para os atos. A medida reduz a visibilidade de protestos organizados dentro dos campi, mas complica a narrativa sobre o papel da universidade na esfera pública e pode intensificar questionamentos políticos e reputacionais nas próximas semanas, conforme a disputa eleitoral se aproxima do clímax.