O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marca hoje três décadas desde a implantação da urna eletrônica, referência técnica que transformou a contagem de votos no país. Apesar da consolidação operacional — com resultados muito mais rápidos e mecanismos de auditoria — o equipamento chega ao aniversário em um ambiente político ainda polarizado. As campanhas de ataque ao sistema, que ganharam força antes da eleição de 2022, mantêm resquícios de desconfiança entre segmentos da sociedade.

Em artigo recente, o ministro aposentado do STF Carlos Mário Velloso defendeu que a urna representou a superação de um passado de irregularidades e trouxe maior segurança ao processo eleitoral. Para ele, a informatização permitiu reduzir fraudes comuns às urnas antigas e incorporar rotinas auditáveis antes, durante e depois do pleito, alinhando o voto brasileiro à revolução digital presente em serviços essenciais.

O movimento contra a urna atingiu seu ápice com ataques públicos do então presidente Jair Bolsonaro — entre eles uma transmissão em 29 de julho de 2021 e reunião com representantes estrangeiros em 18 de julho de 2022 — episódios que contribuíram para a decisão do TSE, em 30 de junho de 2023, de declarar sua inelegibilidade. O material-base lembra também a condenação pelo STF à pena de 27 anos e três meses, por chefiar organização que tentou romper a ordem democrática.

Especialistas ouvidos no debate, como Sidney Neves (Abradep) e João Marcos Pedra (OAB-DF), classificam a deslegitimação das urnas como construção populista, sem lastro técnico, e ressaltam que o sistema é pilar da democracia por traduzir com rapidez a vontade do eleitor. Ainda assim, a memória política desses ataques acende alerta: a estabilidade técnica não elimina o custo político e a necessidade contínua de defesa institucional para preservar confiança pública.