O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou nesta sexta que Daniella Marques não seria um nome capaz de atrair votos suficientes para compor a vice de Flávio Bolsonaro, preferindo apontar Tereza Cristina como opção com maior apelo eleitoral. A fala expõe fissuras internas sobre a montagem da chapa e antecipa disputa pelo espaço proporcional entre alas do partido.

A declaração ocorre em meio a um cenário que reduz ainda mais a margem de manobra do entorno bolsonarista: o ministro Alexandre de Moraes determinou suspensão temporária do direito de visita de Jair Bolsonaro e vedou atos e divulgação de conteúdo político-eleitoral vinculados ao ex-presidente até o fim do ciclo eleitoral de 2026. Na prática, a medida formal limita a capacidade de Bolsonaro decidir pessoalmente a vice junto com Flávio.

Valdemar sinalizou que a convenção do PL em 25 de julho pode deixar a vice em aberto e que a Executiva terá até 5 de agosto para definir o nome. Mas o quadro partidário é complexo: a federação União Brasil-PP, casa de Tereza Cristina, já tem dado sinais de distância da pré-candidatura de Flávio, e o Republicanos, partido ligado a Daniella, também não tem se mostrado favorable — fato que amplia a dificuldade de costura de uma coligação competitiva.

Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e responsável por propostas voltadas às mulheres na pré-campanha, participou de atos ao lado de Flávio e tem prestígio no meio empresarial. Ainda assim, a combinação entre resistências internas e as restrições jurídicas ao papel político de Bolsonaro transforma a escolha da vice em problema estratégico, com impacto direto na capacidade de agregar correlações eleitorais e de comunicação da chapa.