O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29/10) que Jair Bolsonaro não foi informado sobre a viagem do filho Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. A declaração foi dada ao deixar a residência do ex‑presidente, onde o líder partidário realizou uma visita pessoal após quase um ano sem contatos presenciais. Valdemar disse que o encontro abordou principalmente cenário político e a organização do partido nos estados, e negou que tenha havido conversa sobre uma suposta anistia para Bolsonaro.

A saída de Flávio para Miami foi acompanhada pela divulgação de uma carta com tom crítico às instituições brasileiras e a promessa de liderar a oposição a partir do exterior — texto que sofreu alterações após a primeira versão. Valdemar disse compreender a situação pessoal do senador, mas afirmou não concordar com a forma como os fatos aconteceram e pediu que o PL 'toque a vida para frente'. A posição do dirigente tenta acomodar solidariedade familiar e controle de danos político.

A interlocução pública de Valdemar acende alerta para o partido: a versão de desconhecimento por parte do ex‑presidente evita um reconhecimento explícito de coordenação, mas não elimina o custo político da exposição de um filho do chefe do clã adotando discurso e atuação desde o exterior. O episódio complica a narrativa oficial do PL e pressiona a legenda a definir uma postura clara entre defesa institucional de Bolsonaro e a necessidade de preservar eleitoralmente seus quadros e alianças.

Há ainda o pano de fundo judicial: Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília após condenação do Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses por participação na trama golpista — informação que mantém o tema sob alta sensibilidade pública e institucional. Em público, Valdemar reforçou o desejo de que o partido siga atuando nas eleições e evite que desdobramentos pessoais desguarneçam a agenda política do PL, que agora precisa calibrar reação e estratégia diante do desgaste.