Na manhã desta segunda-feira (5/10), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou em entrevista à CNN que Jair Bolsonaro — atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, segundo relatos públicos — pode surgir como candidato competitivo à Presidência em 2030. Valdemar também declarou que, se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, o senador trataria de assegurar a libertação do pai.

A avaliação do dirigente partidário, que considerou surpreendente o desempenho de Flávio no primeiro turno e creditou parte do sucesso do PL ao ex-presidente, tem impacto político direto: a declaração reforça a centralidade da família Bolsonaro na estratégia eleitoral e sinaliza uma aposta pública na manutenção da influência do ex-presidente sobre a coalizão. No plano institucional, a promessa de intervenção política para obter liberdade para um preso político gera reação e acende alerta sobre a independência do Judiciário.

Ao projetar Jair Bolsonaro como 'forte candidato' em quatro anos e afirmar que ele dará contribuição ao eventual governo do filho, Valdemar complica a narrativa de autonomia que Flávio poderia apresentar ao eleitorado. A leitura pública dessa ligação estreita pode aumentar o desgaste do projeto de poder do PL junto a setores moderados e ampliar dúvidas sobre governabilidade caso a família ocupe o Palácio do Planalto.

A declaração do presidente do partido funciona, portanto, como um termômetro político: agrada a base bolsonarista ao manter o líder no centro da mobilização, mas também amplia a pressão sobre instituições e adversários, que passam a interpretar o resultado eleitoral como um teste sobre limites legais e constitucionais. Trata-se de um episódio que vai seguir repercutindo na campanha e na avaliação de riscos para 2026 e 2030.