Um levantamento publicado na Folha de S. Paulo e um relatório da Polícia Federal colocam Valdemar Costa Neto no centro de uma operação relacionada ao chamado “orçamento secreto”. Segundo os documentos, o presidente nacional do PL, sem mandato desde 2013, teria indicado R$111,8 milhões em emendas de comissão em 2024 — valor inferior apenas ao destinado pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (R$255,3 milhões). O volume torna Valdemar um dos maiores indicantes do ano, à frente de 512 dos 513 deputados.

A PF relata que a gestão das indicações passou por uma estrutura paralela na Câmara dos Deputados, operando entre junho de 2024 e março deste ano. O relatório identifica três servidores da Casa como braços operacionais do presidente do PL, entre eles Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, apontada como responsável pela organização e encaminhamento das emendas. As apurações embasaram decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino que determinou o bloqueio imediato de mais de R$119,2 milhões em bens e ativos de Valdemar.

A direção nacional do PL ainda não se manifestou sobre o levantamento, mas a defesa de Valdemar classificou a decisão do ministro como baseada em “premissas frágeis” e disse que tomará “todas as medidas judiciais cabíveis” para demonstrar a improcedência das imputações. A reação jurídica não elimina, porém, o impacto político: ter o líder do principal partido de oposição com bens bloqueados em função de indicação de emendas amplia desgaste e complica a narrativa eleitoral da legenda.

Do ponto de vista institucional, o episódio acende alerta sobre a operação do orçamento secreto e a fragilidade dos mecanismos de controle interno da Câmara. Além do custo reputacional para o PL e para o pré-candidato ligado ao partido, os fatos reforçam a pressão por transparência e responsabilidade fiscal na destinação de recursos. Até que as alegações sejam julgadas, resta à política e ao Judiciário esclarecerem como foi possível que uma liderança sem mandato figurasse entre os principais indicantes de emendas em ano eleitoral.