Ao ser questionado sobre a publicação do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, que cobrou mudanças na estrutura da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, descartou o tema com a frase "Não perco meu tempo." A manifestação de Wajngarten, publicada em 8/7 na rede social X, sugeriu a nomeação de nomes como Marcello Lopes, Duda Lima, Walter Longo e Antônio "Toninho" para cargos-chave e recomendou a inclusão de setores como lideranças religiosas, agronegócio e varejo nas reuniões da campanha.
Embora Valdemar tenha optado por não alimentar a polêmica, o episódio ocorre em momento de desgaste estrutural para a pré-campanha. Nos últimos dias, o PL registrou sucessivas alterações na área de comunicação e passou a conviver com críticas internas sobre falta de coordenação e dificuldade de resposta a crises. A repercussão do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi apontada nos bastidores como fator que precipitou revisões na estratégia de comunicação.
Além da desorganização operacional, a pré-campanha teve sua maior fissura pública com o rompimento de Michelle Bolsonaro. Divergências sobre a estratégia eleitoral no Ceará — sobretudo em torno da disputa ao Senado — terminaram com Michelle afirmando ter sido humilhada por Flávio e anunciando seu afastamento da coordenação do PL Mulher e da pré-campanha. O confronto expôs fragilidades de convivência dentro do núcleo familiar e obrigou aliados a intervir para tentar conter o desgaste.
O conjunto de sinais — cobranças públicas de nomes com trânsito na área de comunicação, mudanças internas e atritos com lideranças históricas do bolsonarismo — acende alerta sobre a capacidade do PL de apresentar um roteiro unificado para 2026. A reação de Valdemar, em tom de desprezo à sugestão externa, pode até conter uma escalada retórica, mas não apaga a percepção de descoordenação e a pressão por um ajuste mais profundo na gestão da pré-campanha.