O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou ter cometido irregularidades na indicação de emendas parlamentares e afirmou nesta segunda-feira que sua atuação se restringia à articulação política entre prefeitos, deputados e a liderança da bancada na Câmara. As declarações foram dadas após decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do dirigente no âmbito de investigação sobre a destinação de recursos de emendas.

A Polícia Federal apontou indícios de que pessoas sem mandato teriam participado da definição do destino de verbas públicas. Valdemar disse que recebe prefeitos e deputados de todo o país, encaminha demandas à liderança e não exerce controle direto sobre recursos orçamentários. Em sua defesa pública, argumentou que o montante bloqueado corresponde ao total de emendas e que não há como atribuir a ele posse desse dinheiro; afirmou ainda que esclarecerá o caso na fase de defesa.

Sobre os mecanismos internos, o dirigente afirmou que as indicações passam por análise da liderança parlamentar e levam em conta a regularidade das prefeituras e a existência de projetos aptos a receber recursos. Valdemar reconheceu impacto inicial na imagem pública com a repercussão da decisão e criticou reportagens que, segundo ele, deram a impressão equivocada de que teria valores em conta ou cometido ilícito.

Apesar das negativas, a investigação sob relatoria do ministro Flávio Dino amplia a pressão sobre o PL e pode provocar desgaste político no curto prazo, sobretudo num momento de intensas negociações em Brasília. O desfecho do caso ainda depende da instrução do processo, mas o episódio já cobra do partido respostas e estratégias para conter o impacto mediático e institucional.