O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou ter mudado sua versão sobre a atuação em emendas parlamentares e afirmou, em entrevista ao Correio, que o seu papel se limitava a encaminhar demandas de municípios aos deputados da legenda. A manifestação ocorre em um momento de maior atenção sobre a participação de dirigentes partidários nas indicações de recursos públicos, tema que ganhou espaço nas discussões políticas e institucionais nas últimas semanas.
Valdemar argumentou não ver contradição entre entrevistas recentes — em que descreveu como comum a participação de presidentes de partidos nas discussões sobre emendas — e a peça apresentada ao Supremo Tribunal Federal, na qual disse fazer apenas sugestões sem poder decisório. Segundo ele, a rotina consistia em identificar necessidades locais, como postos de saúde sem verba, e levar esses pedidos a parlamentares que tivessem margem em suas emendas para atender localidades mais críticas.
A defesa de um papel de interlocução vem acompanhada de críticas públicas de dirigentes de outras siglas que negaram atuar da mesma forma, o que transforma a questão em ponto de disputa política. Mesmo sem apontar irregularidade específica, a declaração de Valdemar reabre o debate sobre transparência na destinação de recursos e sobre a linha entre articulação política e influência indevida na alocação orçamentária. Para o PL, a explicação busca neutralizar riscos reputacionais; para adversários, a versão oficial ainda deixa perguntas sobre critérios e responsabilidade.
Politicamente, a controvérsia pode provocar desgaste adicional para a legenda se a narrativa pública de intermediação não for acompanhada de clareza documental sobre critérios e limites. Em ambiente de escrutínio por parte do Judiciário e da opinião pública, a defesa de que se trata de prática comum não isenta a necessidade de explicações que reduzam dúvidas sobre transparência e prestação de contas. Resta observar se o episódio terá efeitos concretos na imagem do PL e se exigirá mudança de rotinas partidárias para mitigar pressão política e institucional.