O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, publicou nesta terça-feira uma foto ao lado da senadora eleita Michelle Bolsonaro, em um gesto público de aproximação que coincidiu com a saída do país de Flávio Bolsonaro rumo aos Estados Unidos, dois dias após a derrota presidencial. A imagem foi divulgada nas redes do dirigente partidário em momento de movimentação e insegurança para a sigla.
O encontro tem relevo político por causa das tensões acumuladas entre Michelle e seu enteado ao longo da pré-campanha. Em junho, Michelle gravou vídeo com críticas ao modo como Flávio conduzia negociações dentro do partido e, pouco depois, anunciou sua saída da coordenação do PL Mulher — decisão que, segundo o material-base, foi tratada com o marido, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar após condenação do STF. Apesar de ter voltado a declarar apoio a Flávio durante a convenção que o oficializou como candidato, a relação mostrou-se marcada por idas e vindas.
No plano interno, a foto de Valdemar funciona como tentativa de controlar a narrativa e de transmitir coesão em meio ao momento de retração eleitoral. Porém, ao mesmo tempo em que busca passado por estabilidade, o gesto também evidencia a fragilidade de uma aliança centrada na família Bolsonaro e a existência de dissensos que a campanha deixou às claras. A coincidência entre o registro público e a saída de Flávio do país pode ser lida como sinal de que a direção do PL sente necessidade de recompor apoios e de apresentar um rosto unitário para filiados e simpatizantes.
As consequências políticas são práticas: o partido precisa definir rapidamente um novo repertório de liderança e mensagens que atendam tanto a bases conservadoras quanto a aliados institucionais, além de administrar a percepção de divisão. Para Flávio e para o núcleo Bolsonaro, a foto e o episódio mais amplo acendem um alerta sobre o custo político da derrota e sobre o trabalho de reconstrução de imagem que virá nos próximos meses.