O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reiterou em entrevista à CNN que o partido ainda quer o senador Ciro Nogueira no palanque do pré-candidato Flávio Bolsonaro, mas condicionou esse apoio à ausência de comprovação das suspeitas levantadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. A declaração busca preservar a aliança enquanto dá margem ao direito de defesa do parlamentar.

A investigação da PF aponta indícios de que Ciro apresentou uma emenda — apelidada de 'Emenda Master' — que beneficiaria o extinto Banco Master, e levanta suspeitas sobre recebimento de benefícios patrimoniais e pagamentos recorrentes. A proposta foi rejeitada, mas o fato de o caso ter chegado ao Supremo e ter sido analisado pelo ministro André Mendonça amplia o impacto institucional e a exposição política.

A defesa do senador negou irregularidades e Ciro afirmou ter recebido apenas sugestão de texto, negando cópia integral da emenda e qualquer vantagem ilícita. Em paralelo, ele sinalizou que pretende reapresentar a proposta para atualizar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apostando em argumento técnico contra o que classifica como oposição dos grandes bancos.

Mesmo sem condenação, o episódio acende alerta para a costura de uma frente eleitoral em 2026: manter Ciro no palanque preserva a coesão com o PP, mas sustenta risco reputacional para Flávio e para o PL caso novas provas surjam. A legenda precisa calibrar entre solidariedade partidária e custo político real perante o eleitorado, num momento em que investigações colocam em xeque a narrativa de integridade dos aliados.