O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, esteve na residência de Jair Bolsonaro em Brasília na manhã desta quinta-feira. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da defesa do ex-presidente. Ao chegar, Valdemar disse que iria atualizar Bolsonaro sobre os acontecimentos recentes e afirmou não ter gostado da carta divulgada por Flávio Bolsonaro após sua chegada aos Estados Unidos.

O documento publicado por Flávio, que se apresenta em trechos como desafiador às instituições e com questionamentos sobre o resultado eleitoral, provocou repercussão política imediata. O episódio revive restrições já impostas: Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação e está sujeito a medidas que limitam comunicação e uso de redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Em julho, Moraes chegou a vedar visitas com finalidade político-eleitoral diante de publicações atribuídas ao ex-presidente.

A movimentação do presidente do PL tem dupla leitura: por um lado, é sinal de tentar apagar o incêndio interno e preservar o partido de maiores danos; por outro, expõe uma contradição — a condenação pública da carta por Valdemar convive com a escolha de um encontro privado entre líder partidário e o preso político do núcleo bolsonarista. Esse tipo de cena acende alerta sobre disciplina interna no PL e complica a narrativa do grupo em direção a 2026, ao forçar uma gestão imediata de imagem diante do Judiciário e da opinião pública.

A autorização judicial para o encontro também lembra que o espaço público das decisões permanece sob controle do Supremo. Para o PL, o desafio agora é equilibrar solidariedade ao ex-presidente sem romper medidas cautelares nem alimentar iniciativas que possam ter custo político e jurídico. A visita de Valdemar, mais do que um gesto de proximidade, configura um esforço para controlar danos e realinhar a estratégia do partido diante da crise provocada pela carta.