A aproximação da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça acelerou a articulação do governo no Senado. Nas últimas horas, o Palácio promoveu encontros e contatos discretos com senadores, enquanto a reunião com o ex-presidente da Casa, Davi Alcolumbre, foi interpretada como a ofensiva final por apoios na CCJ. O objetivo é reduzir incertezas e alinhar comportamento de independentes antes da sessão.

No centro da estratégia está a aposta em negociações de bastidores: ofertas de diálogo político, reforço de interlocução com líderes de bancada e apelos por disciplina no voto. Mais do que apenas medir forças, o Planalto busca evitar surpresas que possam postergar ou inviabilizar o relatório da comissão. Para o governo, a vitória na CCJ é passo decisivo rumo à confirmação no plenário do Senado.

O quadro, porém, revela risco político. A necessidade de correr contra o relógio expõe fragilidades na base e amplia a margem de manobra de senadores insatisfeitos, que podem cobrar contrapartidas. Se a articulação falhar, o custo não será só técnico: há potencial de desgaste institucional e político, com reflexo na narrativa do governo sobre governabilidade e capacidade de pactuação no Congresso.

A sabatina de Messias deve, portanto, indicar o tamanho real da sustentação do Planalto no Senado. Ainda que o resultado não seja previsível, o movimento deste fim de semana mostra que o Executivo trata a agenda como prioridade estratégica. O desfecho terá impacto direto sobre a composição do Supremo e sobre a percepção política sobre a capacidade do governo em conquistar apoios cruciais.