A Comissão Europeia confirmou, em documento divulgado na última sexta-feira (5/6), a restrição às importações de carne bovina, frango e outros produtos de origem animal do Brasil por considerar que as garantias apresentadas sobre o uso de antimicrobianos não são suficientes. Ainda que não tenha sido identificado qualquer caso de carne contaminada ou surto sanitário, o país foi retirado da lista de exportadores aptos ao bloco.
Na reação imediata, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro classificou o episódio como mais um problema do governo Lula e afirmou que, se eleito, resolverá a questão para que o Brasil e o agro “voltem a ser respeitados”. A mensagem política busca capitalizar o descontentamento do setor e transformar um tema técnico em arma de campanha contra o atual presidente, seu principal adversário em 2026.
A Comissão Europeia deu prazo até 3 de setembro para que o Brasil comprove a adequação às regras aprovadas em 2019, embora em abril o Ministério da Agricultura tenha editado uma portaria restringindo parte dos medicamentos questionados. A CE citou países que enviaram as garantias exigidas — entre eles Armênia, Índia e Indonésia — e manteve aberta a possibilidade de retomada dos embarques caso receba documentação complementar.
Além do impacto técnico, a decisão tem peso econômico e político: o setor estima perdas próximas de US$ 2 bilhões por ano e outros integrantes do Mercosul seguem habilitados a exportar, o que fragiliza argumentos de retaliação comercial. O episódio amplia o desgaste sobre a condução do comércio exterior e obriga o governo a responder com rapidez técnica e diplomática; o Itamaraty foi procurado e ainda não havia retorno sobre possíveis tratativas para reverter a medida.