O senador Carlos Viana (PSD-MG) enviou, na segunda-feira (21/9), um ofício ao Conselho Superior do Ministério Público Federal pedindo que a sessão marcada para esta sexta-feira (25/9) — que analisará mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e que mencionam o procurador-geral da República Paulo Gonet — seja pública e transmitida. O parlamentar ancorou o pedido na garantia constitucional da publicidade dos atos.

No documento, Viana sustenta que as exceções ao princípio da publicidade não se aplicam ao caso: “Nenhuma dessas exceções está presente”, argumenta, lembrando que as mensagens e a fotografia já foram divulgadas e que a Procuradoria-Geral confirmou a autenticidade do material. A fotografia em questão, divulgada no fim de semana, mostra Gonet e Vorcaro em uma mesa durante evento em Londres.

O senador reclama que manter o julgamento a portas fechadas daria a impressão de que o Conselho busca proteger-se e proteger o investigado. Ele pede ainda que, se o sigilo for mantido, o órgão explique qual intimidade ou interesse social estaria sendo preservado e que a decisão final seja publicada no Diário Oficial da União. A solicitação reforça a demanda por explicitação das razões institucionais.

A sessão do Conselho vai avaliar se as mensagens atribuídas a Vorcaro comprometem a imparcialidade do PGR na condução de casos envolvendo o Banco Master. O caso está sob a relatoria do subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, e uma investigação formal só seria aberta caso o relator identifique irregularidades na conduta de Gonet. Na sessão do STF de 15 de setembro, Gonet negou relação próxima com Vorcaro.

O pedido público do senador aprofunda o quadro de escrutínio sobre o comando da Procuradoria-Geral: caso o Conselho aceite a transparência, a repercussão poderá reduzir a margem de manobra institucional; se optar pelo sigilo sem justificativa clara, a decisão tende a alimentar narrativas de proteção interna e impor custo político ao órgão e ao procurador-geral. A movimentação coloca o Conselho sob pressão para equilibrar confidencialidade e o interesse público pela informação.