O senador Carlos Viana (PSD-MG) tornou público nesta sexta-feira (15/5) o que descreveu como um início moroso da coleta de assinaturas para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. Em postagem nas redes sociais, Viana agradeceu o apoio formal de líderes da oposição e registrou que, até o momento, apenas o senador Fabiano Contarato, integrante da base do governo, subscreveu o requerimento. Segundo o comunicado, líderes governistas tanto no Senado quanto na Câmara ainda não manifestaram adesão ao pedido.

O pedido de instalação da CPMI se dá num contexto de avanço das apurações da Polícia Federal sobre operações do Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Parlamentares oposicionistas defendem que a comissão investigue suspeitas de fraudes financeiras, vazamento de informações sigilosas e eventuais conexões políticas. Viana colocou o governo diante de uma escolha política clara: apoiar “uma investigação ampla e sem blindagem”, nas suas palavras, ou manter apenas o discurso sem respaldo prático nas assinaturas.

Politicamente, a resistência ou a indiferença da bancada governista tem efeito imediato. A falta de um posicionamento público dos líderes do Planalto abre espaço para a narrativa de que há tentativa de blindagem sobre atores ligados ao caso, reforçando um quadro de desgaste para a coalizão. Para além do aspecto investigativo, a coleta de assinaturas virou um termômetro de coesão: se a adesão não crescer, a oposição ganhará argumento para acusar o governo de proteger interesses e de evitar escrutínio parlamentar.

A movimentação seguirá nos próximos dias, enquanto articuladores avaliam como ampliar o rol de apoiadores. O teste não é apenas jurídico: é político e tem potencial de repercutir na imagem do Executivo e na relação com o Congresso. Viana colocou a questão em termos simples — quem não tem nada a temer não precisa obstruir a apuração — e transformou a assinatura em indicador de posicionamento claro. A decisão dos líderes e da base definirá se a comissão avança sem blindagem ou se a discussão ficará circunscrita ao campo retórico.