Minutos depois da decisão do ministro do STF André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) passou à ofensiva no Senado. Em publicações nas redes sociais, Viana informou ter protocolado pedidos de informação ao Ministério da Justiça cobrando “documentos, ordens, autores e destinatários” dos relatórios que teriam monitorado autoridades. Também requereu a convocação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e agendou audiência com os chefes da área de Inteligência da PF.
Além das convocações, o senador afirmou ter incluído as novas revelações em medidas já apresentadas anteriormente para preservação de documentos, registros e acessos relacionados à produção das informações. Viana acionou formalmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para reunir a Mesa Diretora e os líderes partidários e buscar uma “resposta institucional” da Casa. A iniciativa transforma o episódio em tema central da agenda parlamentar, obrigando senadores a posicionar-se em nome da responsabilização e da transparência.
A decisão de Mendonça também prevê a abertura de procedimentos criminais e administrativos para apurar a elaboração dos relatórios — medida que, segundo o ministro, é necessária diante das suspeitas sobre o uso da inteligência policial. A questão chegou à Segunda Turma do STF em sessão virtual extraordinária, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista, adiando o desfecho imediato do caso. Esse recuo temporário do tribunal amplia a margem de manobra política e institucional no Congresso para cobrar explicações.
O episódio acende um debate sobre os controles sobre serviços de inteligência e o risco de desgaste institucional caso se confirme monitoramento indevido de autoridades. Para o Senado, a pressão de Viana busca transformar reação individual em agenda coletiva, exigindo medidas formais e salvaguardas. Resta saber se a Casa, diante da reclamação pública do senador e da investigação determinada pelo STF, conseguirá entregar respostas rápidas que preservem instituições sem antecipar julgamentos.