Faltando três dias para o encerramento das convenções partidárias, a definição do vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) permanece em aberto e transforma-se em um dos principais nós da montagem eleitoral. Entre os nomes mais bem colocados nas pesquisas, apenas o senador e o ex-governador de Minas, Romeu Zema, e Flávio ainda não oficializaram a composição da chapa. O prazo para concluir as convenções é 5 de agosto; o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral será até 15 de agosto.

Nos últimos dias, a campanha do PL passou a apostar publicamente na senadora Tereza Cristina (PP-MS) como solução política. O perfil da ex-ministra agrada por sua ligação com o agronegócio, trânsito no Congresso e potencial para atrair eleitorado moderado e feminino — atributos valorizados pela equipe de Flávio. Há relatos, porém, de que a aceitação pessoal da senadora não foi suficiente para viabilizar a costura partidária: a direção nacional do Progressistas, comandada por Ciro Nogueira, sinalizou preferência pela neutralidade na disputa presidencial.

No PP, a decisão tem caráter centralizado. Deputada lembrada nos bastidores, Simone Marquetto (PP-SP) afirmou que a indicação depende da direção nacional e não da vontade individual dos filiados. Nos corredores políticos, circula a versão — não confirmada oficialmente — de que Ciro Nogueira ficou insatisfeito com a postura de Flávio durante a crise envolvendo o Banco Master, o que teria azedado o diálogo entre as legendas. A interpretação abre espaço para uma leitura política mais ampla: se o PP recuar, União Brasil e Republicanos também podem adotar postura mais neutra.

Diante do impasse com o Centrão, a campanha já avalia alternativas. O Podemos e a presidente nacional da legenda, Renata Abreu, aparecem como opção para ampliar a base de apoio e contornar a resistência dos partidos ligados ao bloco. Não há definição pública, e qualquer movimento de última hora terá de conciliar apetites regionais, divisões internas e o calendário apertado — fatores que limitam as margens de manobra do PL.

A indefinição do vice tem consequências políticas concretas: fragiliza a narrativa de amplitude da chapa, reduz a capacidade de atrair setores do agronegócio e do centro, e expõe dificuldade de articulação com parceiros tradicionais. Em termos práticos, aumenta o risco eleitoral e força a campanha a dedicar tempo e capital político a negociações em vez de focar em exposição e plano programático. Com o relógio correndo, o PL precisa de um plano B crível — ou aceitar que a ausência de um acordo eleitoral representará custo político que pode repercutir na campanha até o registro final.