Ao representar Flávio Bolsonaro em sabatina da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) em Brasília, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) afirmou que revisar a reforma tributária do consumo estará entre as primeiras medidas de um eventual governo do senador. Na plateia do setor de comércio e serviços, Gaspar disse que a equipe pretende “revisitar” o novo modelo diante do que consideram uma carga elevada — em especial a alíquota efetiva do IVA — e prometeu ajustes para reduzir impactos sobre empresas geradoras de emprego.

A reforma aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 criou o IBS e a CBS para substituir impostos como ICMS, ISS, PIS e Cofins, com início da implementação em 2026 e transição prevista até 2033. Gaspar criticou também a atuação de grupos de pressão durante a definição de alíquotas e regimes diferenciados, e ressaltou que o plano de Flávio inclui medidas de contenção de gastos e redução de estrutura estatal — uma agenda que, segundo ele, seguirá modelos adotados no governo Jair Bolsonaro, com cortes em cargos comissionados e foco em eficiência digital.

A intenção de revisitar uma emenda constitucional acende um sinal de alerta político: mexer em uma reforma já promulgada envolve negociação complexa no Congresso e tende a provocar resistência de setores que conquistaram exceções ou benefícios no texto vigente. Na esfera econômica, a promessa busca atrair apoio empresarial ao prometer menor carga tributária, mas carece de detalhes técnicos públicos sobre como seriam compensadas eventuais perdas de arrecadação e como isso afetaria entes subnacionais e a previsibilidade para investidores.

No plano eleitoral, o anúncio cumpre papel de mensagem ao mercado e à base do PL, porém expõe desafios práticos e riscos políticos a serem administrados pela campanha. A ausência de Flávio no evento — representado por Gaspar e por Rogério Marinho — e a não participação de outros presidenciáveis convidados reforçam o caráter pontual do encontro. A proposta, por enquanto, funciona como retrato da prioridade do programa, não como roteiro definido; a viabilização dependerá de sinais técnicos e de custo político que só serão medidos nas próximas negociações.