O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) formalizou no Senado uma representação que pede o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes por suposto crime de responsabilidade. O pedido, subscrito por 20 senadores, concentra-se em relações entre pessoas próximas ao ministro e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e solicita que o Senado insteie investigação antes de qualquer conclusão sobre eventual irregularidade.
Entre os pontos destacados estão dois contratos celebrados entre o escritório Barci de Moraes, chefiado por Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. O primeiro, de janeiro de 2024, prevê pagamento líquido de R$ 3 milhões por mês ao longo de 36 meses — valor bruto superior a R$ 131 milhões —; o segundo, firmado em maio de 2025, estabelece teto de R$ 50 milhões e amplia a atuação para casos criminais relacionados aos controladores do Master. A peça também cita metadados que, segundo os autores, indicariam que Moraes teria acessado e alterado versões do primeiro contrato antes da assinatura.
O escritório confirmou que o ministro teve acesso ao documento e disse que ele o examinou para avaliar impedimento ou conflito de interesses. A representação pede diligências: requisição de documentos, convocação de testemunhas e esclarecimento sobre registros no celular de Vorcaro — entre eles um número identificado como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA” — e sobre operações envolvendo aeronaves vinculadas a Moraes e familiares. Os autores admitem que não apresentam prova de que decisões judiciais foram alteradas, interrompidas ou vazadas.
No plano político, o movimento eleva a tensão entre Poderes e força o Senado a decidir se acolhe a denúncia e abre processo que pode resultar em perda de cargo e inabilitação, caso se comprove crime de responsabilidade. Para os signatários, a iniciativa não discute o mérito das decisões judiciais, mas busca apurar se houve interesse pessoal ou conflito capaz de comprometer a atuação do ministro em processos ligados ao caso.
Vieira, que já havia apresentado pedido semelhante em 2019, afirmou considerar essencial perseverar apesar do custo político associado à tramitação na Casa. A ofensiva reúne nomes de diferentes bancadas e deixa claro que o episódio exigirá do Senado trabalho de coleta de provas e definição institucional sobre os limites entre investigação parlamentar e a atuação do Judiciário.