O senador Alessandro Vieira classificou como uma decepção a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que negou o pedido de liminar para obrigar o Senado a dar prosseguimento à instalação da CPI do Banco Master. Em nota, Vieira anunciou que apresentará novos elementos ao ministro na tentativa de obter a revisão do entendimento e assegurar a criação da comissão.
Na decisão, o ministro do STF entendeu que o pedido não comprovou, de forma pré-constituída e inequívoca, a omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e exigiu informações sobre a tramitação daquele e de outros requerimentos relacionados ao mesmo tema. Vieira promete produzir documentação adicional e reafirma que a investigação proposta tem foco distinto: apurar eventual existência, natureza e extensão de relações entre ministros do Supremo e o ex-banqueiro envolvido no caso.
A disputa expõe dois pontos políticos relevantes. Primeiro, pressiona a imagem de Alcolumbre, cuja atuação é apontada por opositores como morosa — o requerimento que embasa a CPI reuniu mais assinaturas que o mínimo constitucional e, segundo autores, está engavetado há meses. Segundo, amplia o debate sobre o papel do STF em conflitos entre poderes: a negativa de liminar motivou críticas públicas de senadores que viram na decisão um sinal de proteção institucional e da necessidade de mais provas para identificar omissão legislativa.
O desfecho depende agora da capacidade de Vieira de convencer o ministro com provas documentais da paralisação no Senado. Se o recurso obtiver sucesso, a instalação da CPI voltará ao centro do embate entre Parlamento e Judiciário, com potencial de escalonar a pressão política sobre a mesa diretora do Senado. Se mantida, a decisão tende a reforçar a narrativa de desgaste entre autores do pedido e a direção da Casa, além de movimentar as vozes críticas à atuação do Supremo nesse tipo de conflito institucional.