O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em Paris que o Brasil seguirá apostando na via diplomática para tentar evitar a aplicação de sobretaxas propostas pelos Estados Unidos. Após encontro com o representante comercial americano na OCDE, o chanceler disse haver espaço para negociação, em especial depois da divulgação dos relatórios do USTR que recomendam tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros.
O governo brasileiro rejeita o raciocínio usado por Washington para justificar as medidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, argumentando que as conclusões do USTR foram contestadas tecnicamente e que o Brasil não apresenta superávit que justifique medidas protecionistas. Entre aliados e assessores do Itamaraty há otimismo cauteloso sobre a possibilidade de reduzir o impacto da proposta por meio de diálogo, e a diplomacia deve ser intensificada até a audiência pública marcada para 6 de julho.
A agenda é curta: caso não haja acordo, a expectativa formal é de que as sobretaxas entrem em vigor em 15 de julho. Diante desse calendário, a estratégia brasileira combina defesa técnica das posições e tentativa de ganhar tempo, com o objetivo de adiar qualquer implementação e preservar cadeias exportadoras sensíveis ao mercado americano. A mobilização envolve interlocuções políticas e jurídicas, sem abandonar canais tradicionais de cooperação bilateral.
Se a negociação fracassar, o custo seria direto para setores exportadores e poderia recalibrar relações comerciais com o principal parceiro. Politicamente, para o governo, o desafio é traduzir a disputa técnica em resultado prático que evite prejuízos e desgaste interno. A aposta no diálogo preserva uma via menos conflituosa, mas mantém firme a pressão — e o relógio — sobre Brasília até julho.