O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teve uma conversa rápida, nesta quarta-feira (3/6), com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, no intervalo de um evento da OCDE em Paris. Segundo interlocutores brasileiros, o contato foi informal e não constituiu reunião oficial, mas veio em momento sensível, com a investigação norte-americana avançando.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu esta semana duas apurações com base na Seção 301 da legislação americana, procedimento que pode abrir caminho para a imposição de novas tarifas sobre produtos vindos do Brasil. Na conversa, ambos sinalizaram a importância de manter o diálogo; do lado americano, Greer defendeu a continuidade das conversas.
O episódio acende alerta para o governo: uma troca rápida em evento multilateral ajuda a reduzir ruídos, mas não substitui negociação técnica ou estratégia de defesa comercial. Com o risco concreto de tarifas, setores exportadores e atores econômicos tendem a aumentar pressão por respostas claras — medidas diplomáticas, ação no âmbito do comércio internacional ou apoio à cadeia produtiva.
Do ponto de vista institucional, o momento exige que o Ministério das Relações Exteriores e o setor econômico convertam o canal aberto em ação concreta. A manutenção do diálogo é necessária, mas insuficiente por si só para descaracterizar o custo econômico que tarifas adicionais poderiam impor a empresas e à balança comercial brasileira.