A reta final da campanha mostra aumento e maior volatilidade entre eleitores indecisos, segundo levantamentos recentes, e isso muda o cálculo estratégico de partidos e candidatos. A pesquisa Quaest registra que, na pergunta espontânea, a fatia de indecisos dobrou de 7% para 14% em uma semana — no mesmo período Flávio Bolsonaro caiu de 43% para 40% e Lula de 42% para 40%. Em cenário estimulado, a indefinição segue menor (2% contra 1% anteriormente), o que indica que a hesitação real supera o que aparece em perguntas com os nomes apresentados.
A dispersão foi mais intensa entre mulheres e eleitores independentes: no eleitorado feminino a taxa de indecisas passou de 8% para 17%; entre independentes saltou de 13% para 31%, com recuos relevantes para ambos os pré‑candidatos. Em votos válidos, séries como Veritá, Quaest, Futura, Palver e Ideia mantêm Flávio na frente, por volta dos 50% a 51%, mas a vantagem é estreita e algumas séries mostram aproximação de Lula. O quadro, portanto, permanece competitivo e sujeito a oscilações nos dias decisivos.
Nesse ambiente, decisões do Tribunal Superior Eleitoral sobre plataformas digitais ganham peso direto: o Conselho de Supervisão da Meta reconheceu falhas na aplicação de políticas antifraude e pediu revisão no tratamento de contas de anúncios vinculadas a candidaturas. A empresa atribui problemas a questões técnicas, mas a admissão de inconsistências exigiu do TSE exigências de correção imediata e prazo para que o Ministério Público Eleitoral avalie as medidas adotadas. Entre as hipóteses em análise está a restrição de canais políticos no WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação — proposta que acende alerta sobre alcance e fiscalização.
A questão é dupla: por um lado, limitar canais pode reduzir a circulação massiva de cortes e mensagens que aumentam rejeição ou fomentam indecisão; por outro, há riscos institucionais e práticos — aplicação desigual, desafios técnicos na identificação de conteúdo político e eventual questionamento judicial por cerceamento de comunicação. Para as campanhas, a medida mudaria a tática de comunicação sobre quem ainda pode ser conquistado no último trecho da disputa. O TSE precisa combinar transparência, auditoria técnica e justificativa jurídica sólida para não transferir ao regulador o papel de árbitro do debate político em vez de garantir a integridade do processo.
No cálculo político, a capacidade de alcançar os hesitantes nas vésperas do pleito pode decidir votos suficientes para alterar placares apertados. O tribunal tem diante de si uma decisão com impacto prático imediato: não é apenas uma medida técnica, é uma intervenção que pode redefinir quais narrativas chegam aos indecisos — e, por extensão, influenciar o resultado da eleição.