A campanha do pré-candidato do PL ao Planalto decidiu reagir com força às acusações do presidente e transformar o episódio da Maré em instrumento eleitoral. A estratégia anunciada pretende reeditar e “turbinar” a ofensiva do chamado CPX — termo local para complexo de favelas que, em 2022, virou peça de disputa entre adversários e aliados de Lula e Bolsonaro. O objetivo é usar a lembrança pública da visita do petista à Maré e o uso simbólico da sigla para questionar a segurança e as escolhas do governo.
O episódio remete a 12 de outubro de 2022, quando Lula esteve no conjunto de favelas e recebeu um boné com as iniciais CPX. À época, bolsonaristas tentaram transformar a sigla em ligação direta com o Comando Vermelho, tese desmentida por checagens e pelo TSE, mas que permaneceu nas redes. A escalada de réplicas entre representantes do governo e opositores já havia registrado confrontos — como o desgaste entre o então ministro Flávio Dino e Flávio Bolsonaro sobre visitas e contatos de assessores com pessoas ligadas ao crime organizado, e a referência de Dino a vínculos com milícias por conta de empregos de parentes de Adriano Nóbrega.
Politicamente, a restauração da narrativa do CPX tem efeito calculado: força a polarização, reapresenta Lula sob suspeita para eleitores sensíveis à agenda de segurança pública e pressiona o campo governista a desmentir ou minimizar a tática. Essa movimentação acende alerta para 2026 porque transforma episódios locais e simbólicos em temas nacionais, obrigando respostas imediatas da campanha adversária e potencialmente realimentando a base bolsonarista com uma pauta de forte apelo emocional.
Resta saber até que ponto a tática surte efeito além do núcleo duro do eleitorado: checagens e decisões institucionais limaram versões simplificadas no passado, mas a repetição pode consolidar percepções. Em curto prazo, a ofensiva deve ampliar as linhas de disputa sobre segurança e autoridade; em médio prazo, pode complicar a narrativa oficial do governo ao expor contradições e forçar aliados a escolher entre reagir com dados ou ceder ao ritmo da batalha retórica.