Um voo fretado programado para partir do Aeroporto Internacional do Iguazu, na Argentina, na manhã desta terça-feira foi cancelado pela empresa responsável pouco antes da decolagem. Fontes da Polícia Federal informaram que não houve apresentação de plano de voo nem de lista de passageiros, circunstância que chamou atenção das autoridades locais e brasileiras.
Jornais argentinos chegaram a noticiar que o avião seria usado por Flávio Bolsonaro para seguir aos Estados Unidos. A informação, porém, não foi confirmada: não há prova de que o senador tenha deixado o país. Autoridades de imigração estiveram no terminal e outro avião fretado tinha decolagem prevista para o fim da tarde.
O episódio põe em relevo contradições entre rumores de saída do país e medidas judiciais em vigor: os passaportes de Flávio estão bloqueados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, e o parlamentar é alvo de dois inquéritos no Supremo, incluindo apurações ligadas ao caso Dark Horse. A falta de documentação do voo reforça a necessidade de apuração sobre eventual tentativa de evasão, mas ainda não configura prova de deslocamento.
Politicamente, o cancelamento amplia desgaste e acende alerta sobre a condução do caso pelo entorno do senador. A apuração da PF terá papel central para esclarecer se houve tentativa de organizar uma saída irregular e para avaliar consequências institucionais e eleitorais para aliados. O episódio exige transparência e poderá aumentar a pressão sobre a bancada e a comunicação do próprio Flávio.