Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal autorizado pelo ministro André Mendonça, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que o esquema associado ao Banco de Brasília (BRB) alcançou pessoas de “diversos escalões”. Ouvido por videoconferência enquanto estava no 19º Batalhão da Polícia Militar (Papudinha), ele disse ter sofrido ameaças e pressões para não fechar um acordo de delação premiada.

Vorcaro não detalhou nomes em declarações públicas, mas afirmou acreditar que pessoas ligadas ao BRB estariam articulando medidas para impedir o avanço das tratativas com a Justiça. Em relação à Polícia Federal, o banqueiro fez críticas pontuais: embora tenha dito respeitar a instituição, afirmou haver integrantes que estariam usando a organização para "proteções pessoais e políticas" — afirmação que exige apuração e aponta para um problema de confiança institucional.

O depoente também relatou ter promovido eventos e festas como estratégia de proteção após a compra do Banco Master, argumentando que enfrentou perseguição e pressões de concorrentes. Segundo ele, essas ações teriam sido uma tentativa de se aproximar de atores influentes na política e na economia para resguardar seus investimentos diante da crise de confiança que descreve.

O relato ante o STF complica o quadro político e institucional em Brasília ao levantar suspeitas sobre possíveis tentativas de obstrução e influência sobre investigações. Se as alegações se confirmarem, há risco de desgaste para instituições envolvidas e pressão por apurações independentes. Em termos práticos, cresce a necessidade de transparência no andamento do caso e de respostas claras da PF, do Judiciário e do próprio BRB.