O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou uma nova proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República. Segundo reportagem do G1 e confirmação do Correio com fontes ligadas à investigação, o documento traz nomes que não haviam sido mencionados anteriormente, inclui novos documentos e indica mensagens trocadas com pessoas envolvidas no esquema investigado pela Operação Compliance Zero.

A nova versão foi entregue em duas etapas: uma reunião na PGR ocorrida na segunda-feira (1º/6) e protocolo de documentos na terça (2/6). Uma sessão prevista para esta quinta (3) foi adiada pelos investigadores para permitir a avaliação detalhada do material. Vorcaro permanece detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Um esboço anterior de delação já havia sido rejeitado pelos investigadores, que entenderam, na ocasião, que o executivo estava omitindo informações e tentando proteger aliados.

Uma das autoridades citadas nesta nova proposta é o senador Ciro Nogueira, que já foi alvo de diligências da Polícia Federal. A menção a um parlamentar da base amplia o potencial impacto político do caso: se aceita, a delação pode acender alerta sobre a extensão das apurações e ampliar desgaste para o entorno do governo e para nomes na coalizão. Se rechaçada por falta de consistência, reforçará críticas à credibilidade do acordo e aos riscos de uso estratégico de versões fragmentadas.

A defesa de Vorcaro acredita que a nova proposta será aceita pela PF e pelo Ministério Público, mas a decisão dependerá da checagem das provas apresentadas. No momento, o processo se resume à análise técnica dos documentos protocolados em Brasília; trata-se de um retrato do andamento da investigação, não de uma conclusão. A resposta dos investigadores nas próximas semanas poderá, no entanto, complicar a narrativa oficial e provocar efeitos práticos no tabuleiro político e judicial.