Mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apontadas em relatório da Polícia Federal, mostram articulações para levar o então diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a um evento realizado em Londres em 2024. O conteúdo registra que, em abril daquele ano, o ex-ministro Fábio Faria sugeriu convidar "o DPF Andrei" e, em seguida, informou que o diretor teria aceitado a ida.
O documento detalha troca de recados com um contato salvo como "Marcio Conjur" e registra que a assistente do chefe da PF perguntou expressamente se hospedagem e passagem seriam cobertas. A resposta recebida pelos organizadores foi direta: "Todas as despesas bancadas por nós". Em 2025, arquivos mostram nova tentativa de formalizar convite para Andrei, quando a equipe de Vorcaro autorizou que o Grupo Voto encaminhasse o convite — a edição daquele ano acabou cancelada.
O relatório, no entanto, não afirma que o diretor-geral tenha praticado irregularidade nem que a viagem de 2024 tenha sido paga pelo banqueiro ou pelo Banco Master. O que consta nos autos é a articulação para o convite e a promessa de custeio por organizadores, informação transmitida à assistente do então chefe da PF.
O episódio acende alerta sobre a necessidade de transparência nas relações entre agentes privados e autoridades responsáveis pela investigação. Mesmo sem comprovação de pagamento ou pedido explícito de favorecimento, a troca de mensagens expõe uma proximidade que pode ter custo reputacional e político para a corporação, exigindo explicações e controles mais claros.