A nova fase da Operação Compliance Zero reacendeu o foco sobre a proximidade entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal apura se Vorcaro — dono do extinto Banco Master — custeou viagens internacionais do parlamentar e de familiares, e se repasses financeiros e vantagens patrimoniais teriam sido ocultados por meio de empresas controladas pela família Nogueira. O episódio traz um componente político sensível: o presidente nacional do Progressistas aparece no centro de uma investigação que pode elevar o custo político do partido em ano eleitoral.

Imagens obtidas pela investigação e divulgadas pelo Correio mostram a filha do senador, Maria Eduarda (conhecida nas redes como Duda Nogueira Lazarte), e a influenciadora Martha Graeff em registros de eventos e viagens, inclusive à estação de esqui de Courchevel, nos Alpes. Segundo a apuração, Ciro e a filha também estiveram em Paris e em Nova York em viagens que teriam tido custos arcados por Vorcaro em 2024 e 2025. As publicações nas redes sociais, na qual as jovens aparecem tratadas como amigas, reforçam a dimensão pessoal da relação e acentuam o desafio de separar laços de convivência de possíveis favorecimentos econômicos.

A investigação atinge também a CNFL Empreendimentos Imobiliários, alvo de mandados da PF após pagamentos vindos de uma empresa ligada ao ex-banqueiro. Conforme a Junta Comercial do Piauí, a estrutura societária da CNFL concentra participação majoritária nas mãos de duas integrantes da família: Maria Eduarda e a ex-mulher do senador, Eliane Nogueira, com 47% cada; Iracema Nogueira tem 5% e o próprio Ciro registra 1% do capital. A PF busca esclarecer se transferências para a companhia foram utilizadas para ocultar vantagens indevidas ou acomodar benefícios em favor do senador e de seus próximos.

O episódio complica a narrativa pública de Ciro Nogueira e acende alerta sobre o desgaste que investigações financeiras provocam em líderes partidários, especialmente quando envolvem laços pessoais e empresas familiares. Em nota divulgada nas redes, o senador classificou a operação como tentativa de desgaste eleitoral, lembrou investigações passadas que, segundo ele, foram arquivadas, e afirmou que não se afastará da vida pública. A posição de defesa, porém, não elimina o impacto institucional e eleitoral imediato: além de aumentar a pressão por explicações detalhadas, o caso tende a forçar aliados a reavaliar custos políticos e pode abrir espaço para disputas internas no PP à medida que o processo de apuração avançar.