O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, incluiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de forma nominal em uma nova proposta de delação entregue esta semana à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Segundo fontes ligadas ao caso, o esboço relaciona os repasses para a produção do filme Dark Horse e afirma que o senador teria pedido R$ 124 milhões, dos quais ao menos R$ 60 milhões teriam sido efetivamente enviados. A nova documentação foi apresentada em reunião na PGR na segunda-feira (1º/6) e complementada com protocolos na terça-feira (2); um encontro previsto para quarta-feira (3) acabou adiado para que os investigadores avaliassem o conteúdo.
Investigadores apontam, com base no material recebido, que parte dos recursos pode não ter sido destinada exclusivamente à produção cinematográfica. Há suspeitas de que valores tenham sido direcionados para apoiar despesas do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e de que parte dos repasses tenha sido submetida a operações para mascarar a origem — num quadro que, segundo as diligências, envolveria prejuízos ao Banco de Brasília (BRB) e outras operações consideradas fraudulentas no Banco Master. Vorcaro permanece detido na Superintendência da PF em Brasília; um esboço de delação anterior já havia sido rejeitado após avaliação dos investigadores de que ele poderia estar omitindo informações e protegendo aliados.
A inclusão nominal de Flávio na proposta reacende a pressão política sobre o núcleo bolsonarista e complica a narrativa pública do senador, hoje pré-candidato ao Planalto. Se as alegações se confirmarem, o caso amplia desgaste sobre a imagem do grupo e levanta questions sobre fontes de financiamento para iniciativas que misturam interesses privados e político-eleitorais. A PGR e a PF terão em mãos não só declarações, mas também a tarefa de confrontar documentos e rastrear fluxos financeiros para verificar se houve desvio de finalidade ou práticas de branqueamento de capitais.
Do ponto de vista institucional, o episódio testa a capacidade de investigação e a exigência de consistência nas propostas de colaboração: os órgãos responsáveis já avisaram que uma delação considerada desconexa ou insuficiente pode ser novamente rejeitada. No campo político, independentemente do desfecho judicial, a simples ampliação das suspeitas representa um problema imediato para a agenda e a estratégia eleitoral do senador e de seus aliados, que terão de responder publicamente às acusações ou conviver com um rastro de dúvidas até que provas e contraprovas sejam apresentadas.