O conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, entregue a ministros do Supremo Tribunal Federal, traz conversas nas quais interlocutores do Banco Master referem-se a pagamentos que teriam como eventual destinatário o advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. As mensagens apontam que os valores deveriam passar pela Consult Inteligência Tributária, empresa citada nos diálogos como peça da operação.
Em uma das trocas, Luiz Rennó — então diretor jurídico do Banco Master — menciona um pagamento mensal de R$ 500 mil. Rennó também encaminha ao ex-banqueiro captura de tela com contatos atribuídos a Kevin Marques, acompanhada de expressões como "Dominado aqui" e referências à Consult como "falta" entre os pagamentos essenciais. Procurado, o ministro Kassio Nunes Marques não se manifestou; a assessoria do filho afirma que o advogado não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro e informa que Kevin recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços tributários.
O teor das mensagens deve entrar nas discussões da sessão do STF que analisa, entre outras questões, pedido para abrir investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposto vínculo com Vorcaro. Ministros ouvidos pela reportagem avaliam que Moraes deve receber tratamento equivalente ao dispensado a colegas cujos nomes surgiram nas conversas, inclusive quando aparecem familiares. A presença de referências ao filho de Nunes Marques, bem como a menção a valores e à intermediação de uma consultoria, amplia o alcance das dúvidas que os diálogos suscitam no plenário.
Além do caso individual, as novas mensagens têm efeito político e institucional: acendem alerta sobre possíveis conflitos de interesse e expõem contradições na narrativa pública de isenção que cabe à Corte. Mesmo sem prova de ilícito, o episódio complica a gestão da imagem do STF diante da opinião pública e reforça a necessidade de esclarecimentos objetivos — tanto para resguardar a independência dos ministros quanto para evitar que suspeitas de favorecimento corroam a percepção de imparcialidade da instituição.