O ex-banqueiro Daniel Vorcaro presta, nesta quinta-feira (15/10), novo depoimento à Polícia Federal por videoconferência, diretamente da Papudinha, onde está preso preventivamente. A oitiva foi remarcada após a defesa receber acesso aos autos; investigadores querem esclarecer as tratativas que envolveram a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) e as circunstâncias das operações hoje sob suspeita.

Segundo a PF, entre julho de 2024 e outubro de 2025 o BRB transferiu cerca de R$ 16,7 bilhões ao grupo Master, dos quais R$ 12,2 bilhões corresponderiam a operações com indícios de fraude. Mensagens recuperadas pelos investigadores mostram contatos frequentes entre Vorcaro e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apontado pela corporação como o principal elo institucional nas irregularidades. Há ainda a suspeita de oferta de aproximadamente R$ 150 milhões em imóveis como propina para facilitar o negócio.

Vorcaro divulgou na terça-feira, por meio de seu advogado, uma carta reafirmando disposição de colaborar com as autoridades e prestar esclarecimentos de forma objetiva. O depoimento havia sido adiado duas vezes pela defesa por falta de acesso aos autos. Na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, Vorcaro e Costa foram alvos de busca; Vorcaro chegou a ser preso e solto 12 dias depois, mas teve a preventiva decretada novamente em março. Após o depoimento de hoje, a PF planeja ouvir Paulo Henrique Costa, sem data definida.

Além do componente criminal, o caso acende alerta sobre a governança de um banco público e amplia desgaste político e institucional em torno do BRB. A escala das transferências e as suspeitas de propina colocam em xeque mecanismos de controle e podem gerar pressão sobre autoridades do DF responsáveis pela supervisão do banco. Para além das acusações individuais, a investigação tem impacto direto na percepção de risco do uso de recursos públicos e na necessidade de respostas claras sobre responsabilidade e transparência nas operações envolvendo instituições estatais.