A Polícia Federal identificou um grupo de WhatsApp, batizado nas investigações de "Info BRB", em que Daniel Vorcaro orientava a confecção de documentos para mascarar operações que resultaram na compra de carteiras de créditos consideradas imprestáveis pelo Banco de Brasília (BRB). Em mensagens analisadas pelos policiais, Vorcaro reclamou de ajustes em saldos — à investigação, os números indicam tratativas sobre montantes da ordem de bilhões de reais — e as diligências apontam que os comprovantes eram usados para formalizar valores repassados ao banco.
Segundo o relatório parcial obtido pela imprensa e confirmado por fontes da PF, as carteiras teriam origem, em grande parte, numa empresa investigada como possível fachada, identificada como Tirreno. As conversas envolviam também Alberto Félix, então superintendente de tesouraria do Master, e Ângelo Silva, que ocupava a diretoria financeira do banco, e mostram pressa na produção de papéis que eram, inclusive, registrados em cartório e apresentados ao Banco Central. A operação terminou por deixar um rombo bilionário no BRB — que tem prazo até sexta-feira (29/5) para divulgar balanço com os prejuízos apurados.
Além do potencial efeito judicial sobre os envolvidos, o caso acende alerta sobre controles internos, governança do banco e fiscalização do sistema financeiro. A revelação amplia desgaste político em torno da instituição e complica a narrativa oficial sobre responsabilidade e transparência na operação. Para analistas e integrantes da investigação, o episódio tende a exigir respostas do Banco Central e do governo local, além de elevar o custo reputacional e financeiro para quem patrocinou ou intermediou a compra dos títulos.