Investigação da Polícia Federal, relatada ao ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, bancou uma mesada de R$ 400 mil mensais a Marilson Roseno da Silva, agente aposentado da corporação, para obter informações sigilosas sobre investigações em curso. O relatório descreve um sistema de vazamentos organizado que teria aproveitado agentes tanto da ativa quanto da reserva para repassar dados protegidos.

Segundo as diligências, Roseno teria articulado o esquema e cooptado policiais em atividade, entre eles o agente Anderson Wander da Silva e a delegada Valéria Vieira, com propostas de pagamento via Pix. Outros aposentados, citados no documento como Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva, também teriam sido integrados ao grupo para acessar informações privilegiadas. A denúncia indica que os repasses eram intermediados por Henrique Vorcaro, pai de Daniel, que também responde a prisões preventivas no âmbito das apurações sobre o Master.

O relatório relata que agentes da ativa foram acionados para acessar sistemas internos, como o E-pol, onde tramitam inquéritos e ordens judiciais. Foi por esse caminho que o banqueiro tomou conhecimento de um mandado de prisão contra si — documento que, conforme a PF, acabou sendo repassado a um site jornalístico e teria sido utilizado na construção da defesa do investigado. Mensagens recuperadas pela corporação mostram cobrança de Roseno a Henrique Vorcaro por atrasos nos pagamentos, com risco explícito de interrupção do fluxo de informações.

A repercussão judicial foi imediata: o ministro-relator determinou prisões preventivas de policiais da ativa citados no relatório e a delegada Valéria Vieira foi afastada de suas funções. Além do impacto processual, o caso acende um alerta institucional sobre a segurança de informações sensíveis na PF e pode gerar custos reputacionais para a corporação. Para a defesa e para as investigações, o episódio complica a narrativa pública e aumenta a pressão sobre responsáveis pelo acompanhamento dos inquéritos.