Fontes ligadas às investigações dizem que foi o próprio Daniel Vorcaro quem pediu à Polícia Federal a reabertura das conversas para um acordo de delação premiada. Segundo esses interlocutores, ele manifestou, por meio de advogados, a intenção de apresentar documentos e elementos considerados mais robustos do que o material anterior, com o objetivo de detalhar a participação de nomes relevantes, inclusive autoridades com foro privilegiado.
A PF, porém, manteve a avaliação crítica do esboço já entregue: em 21 de maio a corporação considerou a proposta insuficiente, por não trazer provas novas além das que surgiram das quebras de sigilo e perícias nos equipamentos apreendidos. A decisão de retomar o contato depende agora de autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a quem foi encaminhado o pedido no início da semana e que ainda não se pronunciou. A mesma avaliação levantou a sugestão de devolver o detento à Penitenciária Federal, embora ele permaneça, por ora, na Superintendência da PF.
A Procuradoria-Geral da República manteve tratativas paralelas com a defesa, mesmo após a reserva da PF. O rompimento do advogado José Luís Oliveira Lima com a defesa indica dissenso sobre o material apresentado nas conversas iniciais. Para a PF, qualquer reinício deve ocorrer com cautela processual: a sugestão é que PGR e PF avaliem conjuntamente eventual nova proposta e que seja assinado um termo de confidencialidade reconfigurado, a fim de evitar nulidades que possam comprometer o futuro do processo.
O movimento reabre um foco institucional sensível. Há risco político e jurídico tanto para investigados quanto para as instituições: provas efetivas são imprescindíveis para transformar declarações em elementos que resistam a contestações. A decisão de Mendonça será observada como indicador do grau de rigor que o STF pretende impor em delações que atinjam autoridades com foro — e poderá definir o ritmo e a temperatura das próximas semanas nas investigações.