Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro constam em relatórios preliminares da Polícia Federal divulgados ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o documento, trocas de mensagens mostram que Vorcaro teria indicado a necessidade de “intimidar” uma funcionária vinculada à atriz Monique Alfradique, encaminhando nome e telefone da mulher a integrantes do que a PF identifica como um grupo dedicado a obter informações sigilosas sobre desafetos.
A ordem teria sido transmitida em fevereiro de 2025, em diálogo com Luiz Phillipi Mourão, conhecido pela investigação como “Sicário”. Após receber referência ao alvo, Mourão enviou aos interlocutores um arquivo com dados pessoais e fotografia da funcionária, segundo o relatório. A PF ressalta, porém, que os autos não detalham qual teria sido a suposta ameaça inicial nem confirmam se houve desdobramentos práticos após a troca de mensagens.
O material-base da investigação descreve uma estrutura identificada internamente como “A Turma”, cuja atuação incluiria obtenção ilegal de informações para monitorar, constranger e, em alguns casos, ameaçar pessoas consideradas prejudiciais aos interesses do grupo. O relatório atribui a Mourão papel central na execução dessas tarefas e registra pedidos reiterados de Vorcaro para levantamento de dados sobre alvos variados, entre eles um chefe de cozinha e o capitão de uma embarcação ligada ao ex-banqueiro.
Além do potencial encaminhamento criminal, as anotações divulgadas ampliam o desgaste reputacional de Vorcaro e representam sinal de alerta para quem integra redes de poder e influência: a presença de mensagens diretas ordenando intimidação complica argumentos de defesa e reforça a necessidade de apuração rigorosa. Procuradas, as assessorias de Vorcaro e de Monique Alfradique não haviam se manifestado até o fechamento dos relatórios. Para a cena política e jurídica, o caso acende questionamentos sobre o uso de estruturas privadas para obter informações sigilosas e sobre a efetividade dos mecanismos de proteção às vítimas.