Relatório da Polícia Federal ao qual o Correio teve acesso descreve um plano articulado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para perseguir e constranger um músico residente em Miami que teria se desentendido com seu filho. Segundo o documento, Vorcaro mobilizou o grupo conhecido como “A Turma” e o homem identificado como Felipe Mourão, o “Sicário”, e prometeu investir R$10 milhões na operação.

A estratégia incluía contratar pessoas para seguir o DJ em Miami e forjar um flagrante com drogas, além de atrair a vítima ao Brasil com convite para tocar no Rio de Janeiro, onde seria ameaçada e intimidada “pela milícia e polícia”, segundo o relatório. Parte do plano foi substituída por uma ação de intimidação documental: a organização produziu um ofício dirigido à Interpol com timbre do Ministério Público Federal, usando referência a um inquérito de Roraima para tentar ludibriar o organismo internacional.

A investigação também detalha a atuação da chamada “Turma” como núcleo de espionagem e infiltração em órgãos públicos para obtenção de informações sigilosas. Henrique Vorcaro surge nos autos como operador financeiro, responsável por repassar ordens e recursos durante as fases da empreitada, o que, para a PF, reforça a coordenação familiar e o caráter organizado da ação.

Além da dimensão criminal evidente no uso de documentos falsos e na tentativa de forjar provas, o caso também traz repercussões institucionais: o emprego indevido do timbre do MPF contra o trabalho de autoridade internacional compromete a confiança em mecanismos de cooperação e expõe lacunas na proteção de documentos oficiais. Para além das potenciais responsabilizações penais, o episódio será difícil de separar do custo político e reputacional para os envolvidos — e impõe pressão por apuração rápida e rigorosa por parte das autoridades.