O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou nesta quinta-feira (27/8) seu primeiro depoimento à Polícia Federal por videoconferência após renovar a equipe de defesa com o advogado Daniel Bialski. A oitiva marca a retomada das investigações na esfera federal depois que pedidos de acordo de delação premiada apresentados pela defesa foram negados em duas ocasiões.

O inquérito apura a atuação dos ex-servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. Segundo a PF, MPF e o próprio Banco Central, há indícios de que os investigados mantinham relação próxima com Vorcaro enquanto o Banco Master enfrentava crise de liquidez, e as autoridades querem esclarecer se houve pagamentos, vazamento de informações internas ou orientação estratégica para favorecer a instituição.

Ao ser confrontado com provas reunidas pelas equipes de investigação, o depoimento tem potencial para avançar na identificação de possíveis benefícios financeiros ou favorecimentos indevidos. Para o sistema financeiro e para a autoridade fiscalizadora, o caso acende alerta sobre falhas na supervisão e sobre o risco de perda de confiança quando relações próximas entre regulados e reguladores são apontadas em inquérito.

Vorcaro cumpre prisão preventiva no 19º Batalhão da PM do DF — o chamado "Papudinha" — desde a operação que o levou à detenção inicialmente em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. A continuidade das apurações e o teor dos elementos confrontados nesta oitiva podem ampliar a pressão sobre os investigados e elevar o custo político e institucional do caso, dependendo das provas que venham a ser confirmadas.